Por Ânderson Mendes
A palavra amor tem origem no latim amor, mas seu significado está moldurado em várias reações sensoriais, psicológicas e materiais. De acordo com o dicionário da Língua Portuguesa, de Silveira Bueno, editora FTD, o amor é afeição profunda; objeto dessa afeição; conjunto de de fenômenos cerebrais e afetivos que constituem o instinto sexual; afeto a pessoas ou coisas; paixão; entusiasmo.
Ovídio, quando escreveu A Arte de Amar, foi além do comum discurso sobre o amor como necessidade, adquiriu a habilidade de inserir a mulher num leviano ato de participar do prazer sexual, em uma época em que a mesma não desfrutava mesmo que os homens. Mas o amor, sempre teve diversas faces, e na literatura, o instrumento amor se mostrou essencial, sobrecarregado de devaneios sobre a inquietação, que aos poucos tocaria a razão humana.
Ao traçar na atualidade, uma ponte entre as principais datas importantes dos acontecimentos mundiais, podemos, através dos textos da Bíblia católica considerar um amor purificador. São relatos que foram incorporados às atitudes dos pais e mães, filhos, comunidade, e o mais importante, a adoração de um deus que não adquire corpo material. Este último, o Deus, ganhou um grande espaço na vida das pessoas. Com a expansão da igreja católica e de outras religiões, houve uma contribuição para que muitas literaturas pudessem encarar o amor de diversas outras formas.
Formou-se tantas derivações de amor, que é possível enxergar o amor em proximidade ao ódio, ao sexo, ao prazer instantâneo, o individual que se confunde com o coletivo. Então mata-se em nome do amor, vive-se uma vida inteira ao custo de um sentimento jamais explicado por alguma cultura. O ato de odiar e amar também são carregados de significados importantes na construção das identidades culturais. Entra também nos aspectos civis, como o patriotismo. A intolerância das guerras tem as mesmas característica do pedido de paz, salvo os outros motivos pela mesma. O amor sempre contagiou os homens, em sua virilidade pela ostentação do poder frente ao sentimento institucional.
Os grandes romancistas de nossa história, agregaram o mesmo sentimento às suas obras. Os personagens de Honoré de Balzac, em A Duquesa de Langeais desempenha um rico exemplo, de sentimentos que espelhavam um momento histórico da França no século XVIII, que foram as guerras, as festas de uma sociedade excludente que tinham na mulher a saída para sentimentos frívolos que ocultam paixões efêmeras e amores trágicos. O reconhecimento do amor que com os anos amadurece. Ao mesmo tempo se mostra puro, em outro tempo, insano.
A insanidade existiu bem antes de qualquer discurso bíblico. Muitos homens e mulheres manteriam relacionamentos mútuos ao próprio sexo. Na vida animal, a reprodução tem um caráter essencial para um discurso padrão sobre a anormalidade. Platão dizia que o amor é o desejo por algo que não se possui. Na natureza podemos encontrar pingüins que se aproximam de um discurso monógamo, a fidelidade. Há também outros que pela reprodução buscam o acasalamento plural.
Uma das principais perguntas que as pessoas se acostumaram a fazer foi “Por que você me ama?”, e uma das respostas comuns está no porque das pessoas se permitirem. Através de pesquisa na internet, o comportamento amor está na permissão. O aceitar que é a prática de um contrato social: namorar, noivar, um casamento e até mesmo um cotidiano afetivo.
"O amor foi minimizado, transformado em quase sinônimo da afeição entre duas pessoas, quando na verdade é algo muito mais amplo do que isso. Qualquer pessoa que tenha a mínima pretensão de ser feliz deveria analisar e entender o sentido de certas palavras, entre elas amor, liberdade e vida.", diz O internauta CP*.
Já, o internauta Leo*, diz: "Ficou algo bastante obsoleto pra maioria...que só quer ficar...Pra mim é a superação do próprio egoismo, da própria vaidade...mistura do desejo com a afeição sem banalização...Um mistério sendo desvendado...".
Apesar da racionalidade humana, o homem em sua atualidade se tornou individual, leituras de Zygmunt Bauman enfatiza uma sociedade liqüida, pronta para o novo, para o fast, assim garante uma sobrevivência desconstituída do mal. A felicidade se tornou um prazer permanente que deve ser desacompanha de sentimentos ruins dos romances mais inusitados da sociedade, reconhecidos nas leituras de Marcel Proust, Um Amor de Swann e no contemporâneo Woody Allen, em Que Loucura!
Entender o amor está além de ler qualquer dica, de sabedoria autobiográfico, está além do cinema clássico que desperta um sentimento que o psicológico nem sempre consegue acompanhar. A inquietude de se estar bem e feliz vem da mesma forma como adquirimos os bens, um equilíbrio que pertence e se agrega à razão.

3 comentários:
Uow, achei super digno esse texto! (modismo na linguagem, desculpe)
Enfim, vamos aos comentários... Amor é uma coisa realmente muito, muito complexa e subjetiva. Tem cientista estudando o corpo para ver se esse e outros sentimentos tem alguma explicação biológica, mas é mais um dos mistérios do universo.
Vamos por partes:
Na literatura, creio, o amor tornou-se algo essencial. Não só o amor no sentido de atração sexual, mas o amor em geral, paterno, fraterno, entre amigos. Parece que um personagem - e uma pessoa até - não é completa ou verdadeira sem amor.
A religião é mais uma crença do que amor propriamente dito. Pelo menos é minha opinião. É algo relacionado a paz, a esperança e fé em algo melhor.
E concordo com o comentário do CP, o amor foi banalizado. Vejo caso de pessoas que se conhecem há duas semanas e já dizem 'eu te amo'. Pra mim é algo, sei lá, falso, embora todos já tenham dito isso de forma precipitada alguma vez...
Mas, é basicamente isso.
E não conhecia essa do Platão, "Platão dizia que o amor é o desejo por algo que não se possui". Adorei!
Ótimo texto Ânder!
=*
Gostei muito!!
Amor não se explica..o texto abre espaço para que o nosso pensamento voe...
abs
Hey Anderson!
Aqui é o Daniel.
Então, gostei mesmo do teu blog! Achei bem interessante. Depois, com mais tempo, vou dar uma lida melhor nos textos e daí comento decentemente. =P
Queria fazer um blog bem variado assim também. É o plano pra "revitalizar" o meu, por sinal.
Abraço!
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