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domingo, 24 de agosto de 2008

Garota de Sorocaba em Curitiba

Ela foi buscar várias alternativas para discutir sobre sua vida, a ingrata menina, dona de olhos expressivos. Teve uma vida difícil, comeu o pão que o diabo amassou para aprender as coisas dos dias, mas jamais teve dúvidas quanto ao amor que recebeu de sua mãe, nada de nada, coisas da vida que ela teve que aprender. Eu digo isso e tenho exatamente os motivos, todas as informações para essa verdade.

Quando a olho de perto, sinto seu cheiro. É quase verdade que essa menina não existiu. Existiu no seu próprio pensamento, na linguagem, com a vontade de viver, dentro da minha imaginação, como quem diz Sartre. Não sabia aproveitar bem as chances da vida, que apareceram assim, sem que a avisassem. Quando logo enxergava a perda, gritava, fazia escândalo, para que a situação voltasse mais uma vez.

Num dia desses, quente como o de hoje, eu pensei que ela havia enlouquecido, pois chorava e ria ao mesmo tempo, dizia que tudo fazia parte do meio de um tal sistema, e não tinha medo algum de encará-lo. Nunca a entendi ao transpor minha observação sobre ela a ela, pelo menos a tréplica assim costumava ser, mas eu ainda acho que a entendia muito bem, tanto que eu cheguei a procurá-la para comparar minha vida à realidade dela, éramos muitos iguais. Acho que a fé fez com que nos permitíssemos à tamanha amizade pura.

Um dia, durante a madrugada, não conseguia eu, pegar no sono, pois sonhava com pessoas grogues, que somente eu era o único lúcido da estória, o mais certinho, com aquelas minhas concepções de verdade, sobre o que é moral e imoral. Pensava, e sonhava isso mesmo, acho que meus sonhos, num fundo particular, são pensamentos de sono, logo sonhos. Sonhos que pensava se encontrar entre duas pessoas, de quem gostei no passado, e o outro do futuro, como prevendo o rosto durante o sonho que parecia ser tão real, de alguém muito próximo de mim, um futuro amor, pensei logo, mas não me lembrava mais do rosto das pessoas, só sei que acordei, fumei um cigarro, tomei um outro banho e fui dormir um sono não pregado.

Momento nostalgia de sempre no quarto de canto de um prédio, e logo, ela me liga às duas da madrugada a precisar de uma companhia, numa nova descoberta de sua vida amorosa, quase prazerosa. E lá fui até lá saber o que estava ocorrendo com ela, andamos pelas ruas da cidadela, velha de Curitiba, com suas prostitutas e os travestidos que faziam ponto a cada esquina próximo a Tiradentes. Pessoas esquisitas me fazem mal, fiquei com cara de bucha, e assim fomos entrando naquelas travessas, e avenidas confusas, já tortas pelo meu cansaço. Uma, duas, três pessoas se apresentam, em segundos, já nem lembro o nome delas, elas são confusas, são inexplicáveis pessoas doidas, muito mais curvilíneas do que as vias centrais.

Esse universo particular, de todos nós seres humanos, datado em tempo, criam valores irreais, e acima de tudo, pobres valores infundados em experiências. Creio que cada pessoa vive em um universo particular, onde somos responsáveis pelo não particular. E, sem isso ela não existiria.
[Nieahn!!!]

Texto dedicado a Débora Montagnoli

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